Na segunda-feira, 04 de agosto, o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe promoveu, no mini auditório da Escola de Contas, uma importante ação alusiva ao Agosto Lilás — campanha nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa contou com o apoio da equipe de Psicologia do TCE/SE e teve como objetivo principal fomentar a reflexão e o engajamento dos homens na construção de masculinidades positivas, contribuindo para o enfrentamento às diversas formas de violência de gênero.

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O evento teve início com a exibição de um vídeo institucional, no qual servidores do TCE/SE manifestaram seu apoio ao fim da violência contra as mulheres. A sensibilização visual abriu caminho para a palestra do psicólogo Carlos Alberto Magalhães Chaves Júnior, especialista em gênero e relações familiares, que conduziu uma profunda análise sobre o tema, propondo reflexões provocativas e apresentando dados alarmantes sobre o cenário da violência doméstica no Brasil, especialmente no contexto da pandemia.

Durante sua fala, o palestrante destacou os diferentes tipos de violência enfrentados pelas mulheres — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Tanto no ambiente doméstico quanto fora dele. Carlos Alberto explicou os ciclos da violência doméstica, divididos em três estágios:
1º estágio - Tensão: caracterizado por humilhações, ofensas e provocações;
2º estágio - Explosão: com agressões físicas e abuso sexual;
3º estágio - "Lua de mel": marcado por arrependimentos, juras de amor, pedidos de desculpas e promessas de mudança, que perpetuam o ciclo violento.

Outro ponto marcante da palestra foi a desconstrução da masculinidade tradicional. Carlos Alberto abordou o tema "O que é ser homem? " e propôs reflexões sobre a construção social da masculinidade, suas referências e a socialização masculina. O conceito de "masculinidade hegemônica" foi explorado com o apoio do curta-metragem Boys Don't Cry, que ilustra como desde a infância meninos são condicionados a reprimir emoções, associar masculinidade à violência e perpetuar padrões tóxicos que se refletem na vida adulta.
A palestra foi concluída com sugestões práticas para a construção de uma masculinidade mais saudável, empática e comprometida com a equidade de gênero. Carlos Alberto enfatizou que mudanças são possíveis quando há consciência, educação e ação.
Encerrando o evento, a mediação ficou por conta da professora doutora e servidora do TCE/SE, Patrícia Verônica Nunes Carvalho Sobral de Souza. Em sua fala, Patrícia trouxe a perspectiva feminina sobre a violência doméstica, destacando a urgência do envolvimento dos homens na transformação dessa realidade. Ela reforçou a importância de adotar comportamentos civilizados, respeitosos e de romper com padrões de agressividade enraizados na cultura patriarcal.

A Escola de Contas reafirma seu compromisso em apoiar ações institucionais que promovam a equidade de gênero, o respeito às diferenças e a prevenção às violências. Acreditamos que a educação é um caminho poderoso para a transformação social e que o envolvimento de todos é essencial para construir um futuro mais justo, seguro e igualitário para mulheres e homens.
Texto: Thiago Carvalho
Imagens: Redes sociais TCE/SE